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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ministério dos Esportes quer mais do COB em 2016

O Brasil encerrou sua participação nos Jogos Olímpicos de Londres com o recorde de medalhas em uma única edição: 17. Apesar disso, mais uma vez figuramos em posição modesta no quadro geral de medalhas, permanecendo com a singela 22ª colocação, atrás de países com pouca tradição esportiva, como Cazaquistão, Irã e Coréia do Norte.

Rebelo quer Brasil entre os 10 melhores no Rio-2016
Além disso, algumas medalhas tidas como certas, mas que ficaram pelo caminho, deixaram os brasileiros com a sensação de que “poderiamos ter ido mais longe”. Até mesmo entre os políticos existe esse sentimento. Mesmo com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) 'voando baixo' com a previsão de 15 medalhas em Londres, o governo federal esperava mais, apostando em 20.

Com isso, aumenta a pressão sobre o comitê para que em 2016, em solos cariocas, os resultados sejam melhores e mais dignos de um anfitrião. Por enquanto não se falam em números para as Olimpíadas do Rio, mas o ministro dos esportes Aldo Rebelo fala em ficar, ao menos, entre os dez primeiros no total de medalhas. Para isso teriamos de ganhar ao menos 11 medalhas a mais do que conseguimos este ano, usando os Jogos recém-terminados como parâmetro.

Na Inglaterra, Coréia do Sul e Itália ficaram na nona e décima posição, respectivamente, com 28 medalhas cada. O Brasil, por sua vez, ficou na 16ª colocação na soma de medalhas, empatado com Hungria e Espanha em 17, mas perdendo nos números de medalhas de ouro e prata.

Para conseguir escalar esses seis degraus olímpicos, o investimento nos esportes de alto rendimento, em especial aqueles que conferem muitas medalhas, como boxe, natação e atletismo, deve aumentar. A expectativa fica para o anúncio da presidente Dilma Rousseff sobre o incremento de investimento nos esportes, que no último ciclo olímpico foi de cerca de R$ 1,7 bilhões.

O boxe, de Yamaguchi, deu três medalhas para o Brasil
O destino do dinheiro também deve mudar. Em Londres, os esportes coletivos ficaram devendo, enquanto que modalidades individuais em que poucos apostavam (caso do boxe e pentatlo moderno) renderam conquistas. Essas gratas surpresas é que foram responsáveis por fazer o país conseguir ultrapassar seu recorde de medalhas em uma única edição da competição.

Caso o investimento aumente e o país aproxime-se das metas que o ministério dos esportes planeja, será possível manter a sensível melhora existente dos últimos ciclos olímpicos que passamos sob governo petista, em relação as  olimpíadas do governo PSDB.

Com Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, na presidência, o Brasil ficou com a 25ª colocação geral em Atlanta-1996 (15 medalhas, sendo três de ouro) e 52ª em Sydney-2000 (12 medalhas, nenhuma de ouro).

A partir dos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas, já com Luiz Inácio Lula da Silva - do PT - a frente da nação, subimos nas tabelas de classificação.  Na Grécia, o Brasil ficou com a 16ª colocação geral – nossa melhor marca desde a 15ª posição nos distantes jogos de 1920, na Antuérpia – com cinco conquistas de ouro - também a melhor marca do país nesse quesito.

Quatro anos depois, em Pequim, 23ª colocação com três ouros, uma posição abaixo da 22ª de Londres, também com três medalhas de ouro, sob comando de Dilma Rousseff, sucessora de Lula no governo petista.

A escalada é contínua, mas lenta. Portanto, para não fazer papel feio em sua própria casa, os resultados na cidade maravilhosa tem que ser proporcionais ao salto que o ministério quer dar na tabela.

Guilherme Uchoa

Fotos: Alastair Grant/ AP e Reuters

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Chamam de Grã-Bretanha, mas poderia ser só Inglaterra

Dúvida recorrente em tempos de disputa de Jogos Olímpicos: Grã-Bretanha é diferente de Reino Unido?

Sim. O primeiro trata-se da maior ilha britânica, que engloba Inglaterra, Escócia e País de Gales. Os três atuam juntos durante Olimpíadas como se fosse apenas um país. O Reino Unido, por sua vez, é composto pelas três nações da ilha britânica, além de Irlanda do Norte. Ela é quem participa de organizações intergovernamentais, como União Européia e ONU.


Ao término dos Jogos Olímpicos de Londres, a Grã-Bretanha, sede da competição, alcançou a terceira colocação geral no quadro de medalhas. Após os 19 dias de disputas, conquistaram 65 medalhas, sendo 29 de ouro, 17 de prata e 19 de bronze.

A posição obtida (ficou atrás apenas das potências Estados Unidos e China) foi a melhor conseguida por britânicos desde 1908, quando os Jogos foram disputados na mesma Londres. 

Para muitos, o fato de três nações competirem juntas pode parecer injusto, entretanto, uma análise as medalhas conquistadas pela Grã-Bretanha revela que se apenas atletas da Inglaterra estivessem envolvidos com a disputa, os resultados não seriam muito diferentes.

Das 65 conquistas que os britânicos penduraram em seus pescoços, 42 medalhas vieram de modalidades individuais. Destas, 33 são de esportistas nascidos em solos ingleses. Em outras palavras, 78,5% das medalhas de modalidades individuais vieram de ingleses.

Mo Farah é inglês e ganhou duas medalhas de ouro para a Grã-Bretanha
Entre as medalhas de ouro, a porcentagem é ainda maior. Das 29 medalhas de ouro, 19 foram conquistados em esportes solitários, sendo 16 vencidas por mãos inglesas. Portanto, 84,2% dos ouros individuais vieram da Inglaterra.

Considerando as medalhas de prata, foram nove de esportes individuais, vindo sete da Inglaterra, uma da Escócia e outra do País de Gales.

Por fim, no lugar mais baixo do pódio estiveram 14 atletas de modalidades como boxe, atletismo, ciclismo e judo. Desse grupo, 10 medalhas foram recebidas por nascidos na Inglaterra e apenas uma por um irnlândes. As três medalhas restantes são mais curiosas: o ciclista Chris Froome é queniano de nascimento, mas naturalizou-se britânico e passou a competir pelo Reino Unido. A alemã Laura Bechtolsheimer, da Alemanha, também passou a competir pela Grã-Bretanha, sem defender especificadamente um dos três componentes.Por fim, a sul-africana Elizabeth Tweddle levou bronze na ginástica artística também defendendo as cores britânicas.

Além das medalhas já citadas, existem também as conquistas obtidas em modalidades coletivas, que possuem entre seus convocados atletas ingleses, escoceses e galeses. Como esses esportes conferem apenas uma medalha para a classificação geral, não podemos classificá-la como pertencente ao 'grupo Inglaterra' das conquistas.

Mesmo assim, com as 33 medalhas unicamente inglesas, o país teria vitórias suficiente para figurar na quarta posição do quadro olímpico, atrás apenas de Estados Unidos, China e Rússia. No total, Inglaterra teria 16 medalhas de ouro, sete de prata e 10 de bronze.


Guilherme Uchoa

Fotos: Reprodução Globoesporte.com e Reuters

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Brasil tenta bater recorde de medalhas em Londres

Depois da 100ª medalha da história olímpica brasileira conquistada pela pugilista Adriana Araújo, o país encontra-se próximo de atingir o maior número de medalhas entre todas as suas participações dos Jogos Olímpicos. A possibilidade de superar as 15 medalhas conquistadas em Atlanta - 1996 e Pequim – 2008 passa pelas mãos dos jogadores do vôlei masculino.

Esquiva pode colocar mais um ouro no pescoço do Brasil
Com um pouco de sorte, quem sabe, o Brasil não supera também sua maior marca em medalhas de ouro. Com as finais do futebol masculino e vôlei feminino, e com os irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão ainda no páreo nos ringues, o país poderá alcançar até seis medalhas mais valiosas. Esse número seria suficiente para ultrapassar as cinco vezes que um brasileiro subiu ao lugar mais alto do pódio em Atenas – 2004.

Ao final do 13º dia de competições o Brasil figurava na 26ª colocação no quadro geral de medalhas, tendo pendurado em seu pescoço 11 medalhas (duas de ouro, duas de prata e sete de bronze). Com mais quatro medalhas já garantidas no futebol masculino, boxe e vôlei feminino, ao menos igualaremos as campanhas de 96 e 2008.

O futebol masculino, liderados por Neymar, Oscar e Leandro Damião, encara o México no sábado (11), às 11 horas, para tentar o inédito ouro. Os irmãos Falcão entram no ringue na sexta (10) valendo vagas na decisão. Como o boxe não possui combates pela terceira colocação, mesmo em caso de derrota a dupla ganhará medalhas. Já as meninas do vôlei vão para a quadra também no sábado, às 14h30, contra os Estados Unidos.

Vôlei  encara Itália por uma vaga na final
A medalha de desempate pode ser conquistada pelos comandados de Bernadinho. Caso vença a partida semi-final contra Itália, que será disputada amanhã (10), os meninos do vôlei terão garantido pelo menos uma medalha de prata na final de domingo (12), o que seria a 16ª em Londres.

Além dessas modalidades, o brasileiro ainda pode alimentar esperanças na vela, com a dupla Fernanda Oliveira e Ana Barbachan tentando o bronze, no revezamento 4 x 100 masculino e feminino e nos três representantes brasucas na tradicional maratona, no domingo, último dia de competições.

Claro que superar nossa melhor marca em medalhas de ouro ou no quadro geral não será fruto de incentivos esportivos por parte de nosso Governo. Pelo contrário,  passamos por dificuldades em praticamente todas as modalidades e suas respectivas confederações demonstram amadorismo desesperador.

Há quatro anos de sediar os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, os próprios atletas que atingiram lugares no pódio fazem questão de ressaltar e criticar a falta de incentivo. Arthur Zanetti, primeiro colocado nas argolas – conquista inédita para um brasileiro na ginástica em Olimpíadas – fez questão de alertar com relação à falta de apoio sofrida pela modalidade e mostrou o desejo de que sua vitória resulte em mais investimentos à ginástica.

A boxeadora Adriana Araújo, responsável pela primeira medalha do boxe brasileiro em 44 anos, foi além: desferiu duros golpes – quase jabs e diretos que costuma fazer em combate – contra o presidente da CBBoxe, Mauro José da Silva. “Ele menospreza muito o boxe. Não só o masculino, como o feminino. Fui muitas vezes humilhada por ele. Disse que eu não tinha condições de me classificar (para os Jogos). Para calar a boca dele, me classifiquei e fui medalha de bronze”, disse após a luta com a russa Sofya Ochigava.

Apenas a titulo de comparação, Estados Unidos e China, países que possuem sistemas invejáveis de incentivo e desenvolvimento esportivo, brigam medalha a medalha pela primeira posição do ranking Olímpico. Ao término do 13º dia de competições, Estados Unidos lideravam o ranking com 39 medalhas de ouro e 90 no total. Seguindo de perto, os chineses encerraram o dia com 37 de ouro e 80 na soma.

Concluindo, é muito provável que, mais uma vez, as duas nações superam apenas nesta edição a quantidade de medalhas que nos brasileiros temos em toda nossa história. Vergonhoso para um país do tamanho do Brasil e com o potencial e riquezas que possui.


Guilherme Uchoa

Imagens: AFP, Reuters e reprodução Globoesporte.com

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Basquete brasileiro está pronto para Londres

Huertas em ação contra a Argentina durante o Super Four
Apesar das sérias deficiências e dificuldades financeiras apresentadas pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e reveladas pela edição de junho da revista ESPN, em quadra a seleção nacional passa por seu melhor momento das últimas décadas.

Comandados pelo argentino Rubén Magnano, campeão olímpico com sua nação em 2004, o Brasil finalmente está preparado para a disputa dos Jogos Olímpicos de Londres, com abertura oficial marcada pra sexta-feira (27). Foram 16 anos, ou três edições, longe do maior evento esportivo do mundo, antes da conquista da vaga na Copa América de Mar del Plata, no ano passado.

Depois de diversas tentativas, que não foram atendidas nem mesmo durante o pré-olímpico das Américas, o país conseguiu juntar em uma mesma convocação aqueles que são tidos como a nata do basquete verde e amarelo. Nenê, do Washington Wizards, que desde 2010 não atendia aos chamados por diversos motivos pessoais e profissionais, e Leandrinho, do Indiana Pacers, que também esteve ausente do torneio classificatório do ano passado, juntaram-se as outras duas estrelas da NBA Anderson Varejão (Cleveland Cavaliers) e Tiago Splitter (San Antonio Spurs), além de Marcelinho Huertas (Barcelona - ESP), Marcelinho Machado (Flamengo), Giovannoni e Alex Garcia (ambos do Brasília), entre outros.

A série de amistosos realizados pelo grupo provaram a boa fase. Jogos equilibrados contra a experiente e poderosa equipe argentina, conquistando inclusive o torneio Super Four, em Foz do Iguaçu, por 91 a 75, vitoria fácil sobre a Espanha B (até pouco tempo nossa seleção não teria condições de fazer nem ao menos uma partida equilibrada contra os reservas espanhóis), e finalmente uma belíssima atuação contra o 'já medalha de ouro' Estados Unidos, na derrota por 80 a 69.

Os norte americanos, que realizaram alguns amistosos que não passaram de jogos de exibição, devida a facilidade em aplicar placares elásticos,  tiveram que suar para superar o Brasil. O poderoso ataque comandado por algum dos principais nomes do esportes como LeBron James e Kobe Briant ficou limitado a meros 80 pontos, muito aquém dos três digitos que esta acostumada a atingir.


O pivô Nenê voltou a servir a seleção brasileira

O primeiro quarto da partida foi vencido pelos brasileiros com uma diferença de 10 pontos. O terceiro e último quarto terminaram a favor dos gringos, mas com placar equilibrado. O segundo período de jogo que pesou contra nosso selecionado. Huertas e Cia marcaram apenas cinco pontos contra 20 das estrelas norte americanas.

Apesar das falhas apresentadas nesse pobre segundo quarto de partida ante norte americanos, em que o Brasil foi desarmado com extrema facilidade, permitindo rápidos contra ataques ao adversário, a experiencia de enfrentar de igual para igual a favoritíssima candidata a medalha de ouro provou o atual status de nossa seleção.

Depois deste confronto, o grupo também perdeu por pequena diferença para a França, de Tony Parker, ganhou com facilidade a Austrália, adversário da estréia, no domingo (29), por 87 a 71, e atropelou a Tunísia em 87 a 54.

Além dos australianos, o Brasil enfrenta China, Espanha, Grã-Bretanha e Rússia na primeira fase do torneio.

A opinião dos craques

Amaury Pasos ressalta a força dos rivais na primeira fase
O ex-jogador Amaury Pasos, bicampeão mundial pelo Brasil em 1959 e 1963, e duas vezes medalha de bronze, nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, e Tóquio, em 1964, analisou o atual momento do Brasil e os adversários da primeira fase olímpica. "A seleção teve méritos de conseguir a classificação, mas agora é difícil. Se jogar muito, muito bem, pode ser que consiga uma medalha, mas acho difícil. Estamos em uma chave que tem a Espanha, que é candidata a medalha de prata. Tem Austrália, da qual somos fregueses seculares, então qualquer adversário é peleira", disse em entrevista ao Blog Faculdade da Bola.

Outro representante da fase mais gloriosa de nosso basquete, o ex-pivô Antonio Sucar, que defendeu o Brasil na conquistas das duas medalhas olímpicas, além do título mundial de 63, no Rio de Janeiro, tem mais esperanças em uma possível conquista em solos ingleses e, para isso, usou como exemplo outra seleção comnadada por Magnano. "Nas olimpiadas de 2004 o melhor eram os Estados Unidos, mas quem ganhou foi a Argentina", lembrou durante entrevista concedida à equipe do Blog Faculdade da Bola em seu escritório, em Moema, capital.

Sucar acredita na conquista de medalha em Londres
O gigante, argentino de nascimento, ainda vê com bons olhos a presença de seu compatriota Rubén Magnano no comando do time e cogita uma posição no pódio em Londres, para repetir a conquista de sua geração. "Rubén é muito bom técnico, ele deu força para nossa seleção. Se a gente tiver sorte, pode ser medalha de bronze ou medalha de prata. Até o sonho impossível, de uma medalha de ouro", vislumbra Sucar.

Talvez o sonho de Antonio Suca não seja algo tão inatingivel. Resta ao torcedor brasileiro acreditar que uma possível medalha - não importando sua cor - seja o catalisador necessário para impulsionar a modalida no país, reeditando os tempo gloriosos de Amaury e Sucar.


Guilherme Uchoa

Fotos: Colin Foster/ Divulgação CBB (Huertas e Nenê), Gabriel Soares (Amury) e Guilherme Uchoa (Sucar)



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Prognósticos do Brasileirão

Após quase um terço de Campeonato Brasileiro, ou seja onze rodadas, já posso apostar quais os clubes brigarão pelo título, pelas vagas na Libertadores e contra o fantasma do rebaixamento. Não sou nenhum mago ou vidente, mas o futebol apresentado e a força do elenco, me fez refletir sobre o futuro da competição.

Título

O bom time do Atlético Mineiro é candidatíssimo ao titulo de campeão brasileiro após 41 anos de jejum. O setor ofensivo do time é muito bom com Bernard, Jô e Ronaldinho Gaúcho e ainda tem André no banco. O setor defensivo também está bem com Réver em boa fase e a experiência do goleiro Victor, setor que era o ponto fraco do time.

O Internacional é forte candidato ao título de campeão brasileiro

O Fluminense e o Internacional serão os principais rivais do time mineiro. O Tricolor das Laranjeiras tem um elenco muito bom e um time que já está muito bem entrosado. Já o Internacional montou um verdadeiro esquadrão com a chegada do zagueiro Juan, o atacante Diego Forlán, a permanência de Leandro Damião, e a possível chegada de Paulo Henrique Ganso no lugar do garoto Oscar.

Libertadores
O São Paulo briga por uma vaga na Libertadores

Pela vaga na Libertadores de 2013, estão no páreo, Vasco da Gama, São Paulo, Grêmio, Botafogo e Cruzeiro. Será uma disputa bem interessante pela última vaga no torneio mais importante das Américas, já que os três citados acima deverão ficar com as primeiras posições e estes clubes brigam então por uma vaga.

Rebaixamento

Embora ainda seja cedo, já posso considerar o representante de Goiás como o novo participante da série B de 2013. Junto com o Atlético Goianiense, devem brigar para fugir da zona da degola o Náutico, o Sport, o Bahia, o Figueirense, a Portuguesa e o Santos. Não deve fugir desses clubes os rebaixados deste ano.

O Bahia luta para não voltar a série B
Portanto, estes são os meus prognósticos para este ano. Sei que muitos irão discordar, afinal, todos querem ou acreditam que seu time vai brigar pelo título ou não vai sentir o gosto amargo de disputar uma segunda divisão. Mas torcedor é assim mesmo e sempre põe o coração na frente da razão. Em dezembro, após a 38ª rodada, podem me cobrar.


 
Richard Durante Jr

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Copa de 98 ainda não acabou

Ronaldo choca-se com Barthez em 98
Em julho de 2012 a seleção brasileira comandada por Mano Menezes prepara-se para estrear nos Jogos Olímpicos de Londres, concentrada inicialmente no sucesso na renovação de seu grupo - visando a Copa do Mundo de 2014 no Brasil - e também na luta pela inédita medalha de ouro. Não que um aspecto não esteja estreitamente ligada ao outro.

Entretanto, em julho de 1998 o momento era totalmente diferente. O país inteira uniu-se diante de aparelhos de televisão naquela tarde de domingo, dia 12, apreensivos com a colisão de sua principal estrela com o goleiro Barthez, durante a decisão da Copa do Mundo entre França e Brasil, na casa dos adversários. A França, de Thuram, Deschamps e Zidane já havia sediado a terceira edição da Copa em 1938 (conquistada pela Itália), e tinha o moderníssimo State de France, em Saint-Denis, lotado à seu favor.

O Brasil era o atual campeão mundial, com o título conquistado pela dupla Romário e Bebeto nos Estados Unidos em 1994. Quatro anos depois, chegavamos a mais uma final, desta vez sob o comando de Ronaldo, então com 21 anos - a estrela que se chocou com o arqueiro francês durante bola dividida.

A preocupação exagerada demonstrada pelos companheiros de Fenômeno no momento do choque é justificável. Horas antes do início do confronto, boatos davam conta de que Ronaldo havia sofrido convulsão e que Edmundo jogaria em seu lugar. 

Momentos antes da bola rolar, o técnico Zagallo acabou escalando Ronaldo e o time, a exemplo do seu camisa 9, jogou mal e foi facilmente abatido por Zinedine Zidane e seus companheiros, na derrota por 3 a 0 (dois gols do craque Zidane e um de Petit). Foi impossível não relacionar a fraca atuação brasileira com o episódio envolvendo Ronaldo, que segundo Zico, então coordenador da seleção, foi presenciada por alguns jogadores, que consequentemente ficaram assustados e abatidos.

Ronaldo teria pedido para atuar na decisão contra França
Mário Zagallo confirmou a apatia e desanimo que os jogadores sentiram com a notícia da ausência de seu principal artilheiro para a decisão. "Fomos para o estádio da final, no ônibus onde era sempre muita animado não havia batuque, o clima parecia de um enterro. Chegamos ao local do jogo e antes da partida começar, Ronaldo entrou no vestiário vindo da clínica, pedindo para jogar. Pedia pelo amor de Deus para atuar e afirmava que estava se sentindo bem", disse. "Ele ter participado da final contra a França não afetou em nada o time, o que realmente abateu a todos foi o fato que aconteceu no dia do jogo. Eu pensei que a entrada dele fosse dar uma euforia ao time, só que isso não aconteceu", revelou o ex-técnico.  

Apesar de não ser um dos momentos mais gloriosos dentro da rica história de conquistas da seleção canarinha, o episódio até hoje despertar a curiosidade e o interesse do torcedor. Passado pouco mais de 14 anos da histórica partida, divergências referentes ao assunto ainda podem ser acompanhadas pela mídia.

Em fevereiro deste ano, Ronaldo utilizou uma de suas redes sociais, o Twitter, para refutar a versão apresentada por Bruno Carù, presidente da sociedade italiana de cardiologia esportiva, que alega ter analisado - ao lado de Piero Volpi, médico da Internazionale de Milão, então clube do craque - os exames realizados por médicos franceses em Fenômeno no dia 12 de julho, e constatado que a convulsão sofrido pelo atacante foi motivada por uma diminuição repentina nos batimentos cardíacos do jogador.

"Ronaldo estava deitado assistindo a uma corrida de Fórmula 1 e sem perceber, ao longo do tempo, inclinou a cabeça, forçando o pescoço e comprimindo o glômus carotídeo, um pequeno orgão responsável por regular a frequência cardíaca e a pressão arterial", afirmou Carù em fevereiro. "Depois ele teve uma queda súbita no batimento cardíaco e na pressão, desmaiando com as convulsões", afirmou o médico a um programa de televisão italiano.

R9 usou o Twitter para desmentir versão do médico Carù
A resposta do ex-jogador em sua rede social nega a versão de Bruno Carù, mas não esclarece os acontecimentos. "Lamento muito ver 14 anos depois oportunistas ainda tentarem ganhar espaço na mídia internacional com polêmicas sobre a Copa de 98. Tenho certeza que o assunto foi exaustivamente apurado e já está mais do que superado", digitou Fenômeno.

Mesmo ainda permanecendo nebulosas as razões que levaram o maior artilheiro em Copas a sucumbir instantes antes de um dos momentos mais importântes de sua carreira, sabemos em partes os bastidores e sequência de acontecimentos daquele domingo, que culminaram com a pífia atuação brasileira.

"Quando cheguei no quarto do Ronaldo, ele estava sentado na cama, paralisado e o Roberto Carlos do lado com cara de assustado. Disseram que ele teve uma convulsão. Quando perguntei se estava tudo bem com ele, ele só olhou pra mim e deitou. Já às17 horas fomos jantar e vi o Ronaldo perto da porta do refeitório. Ele tentou fazer um tipo de aquecimento e eu disse brincando 'o jogo é às 21 horas, já está aquecendo?', e ele disse 'Não sei o que aconteceu. Fui dormir, acordei e parece que levei uma surra!'. Depois do jantar, fizemos uma reunião com a comissão técnica e o médico disse que Ronaldo não tinha condições de jogo", contou Zico, em entrevista ao programa Bem Amigos, da Sportv.

"Quando faltava uma hora para começar o jogo, Ronaldo, já uniformizado, disse que havia jogado a copa inteira, que seus exames não haviam constatado nada e que iria jogar", revelou o eterno camisa 10 do Flamengo.

A palavra final sobre a escalação de Fenômeno coube a Zagallo. "Diante do silêncio de todos, chamamos o Ricardo Teixeira [ex-presidente da CBF] para decidirmos o que fazer. Então tomei a decisão de escalá-lo", relatou o velho lobo.

Zidane e companheiros com a Taça do mundo de 1998
Outras versões sobre o problema de Ronaldo e o que teria acontecido com o grupo, que contava com grandes jogadores como Roberto Carlos, Rivaldo, Bebeto, Cafu e Taffarel, ainda são ventiladas. A mídia esportiva à época divulgou que a convulsão foi fruto do grande estresse e pressão que o artilheiro sofria. Outros dão conta de que o médico da seleção Lídio Toledo teria realizado infiltração no joelho do craque, com substância que causou efeitos colaterais.

Ainda há outros mais extremistas que sustentam teoria de que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) teria vendido o título para uma poderosa fornecedora de materiais esportivos. Claro que faltam provas e evidências que deem credibilidade para essas suposições, mas é justamente a falta de esclarecimento dos acontecimentos daquele dia que fortalecem as mais diversas teorias.

O que sabemos é que futebol vai muito além do que acontece dentro das quatro linhas. Os fatores externos influenciam em muito o resultado de uma partida, e certamente o que o mundo inteiro acompanhou diretamente do State de France naquele dia 12 de julho vai muito além de apenas bola no pé. São acontecimentos pouco claros que fazem com que os 90 minutos daquela partida tenham terminado, mas a final da Copa do Mundo de 1998 ainda esteja rolando. Mesmo depois de 14 anos.

A convulsão, que teria sido presenciada por alguns companheiros de Ronaldo, teria abalado o ambiente da seleção
Zico relatando detalhes do dia da final entre Brasil e França:

Melhores momentos da partida França x Brasil, pela Copa de 98:
Guilherme Uchoa
Fotos: George Herringshaw, Reuters e Célio Jr.
Vídeos: Sportv e Rede Globo

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Aqui é trabalho, meu filho!

- Fora Mano! Que venha o Muricy em seu lugar!

Parece drástico, mas pelo menos é isso o que deseja o torcedor leitor do Blog Faculdade da Bola. Depois de duas semanas de votação na pagina inicial do blog, os leitores elegeram Muricy Ramalho, com 24% dos votos (14), como melhor opção para o comando da seleção brasileira de futebol durante a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. O atual técnico Mano Menezes não goza de muito prestígio popular e ficou apenas com a 5ª posição da eleição, com 5% das escolhas.

Depois de resultados frustrantes em amistosos e principalmente durante a Copa América de 2011, quando a seleção canarinha foi eliminada nas quartas-de-final, Menezes arrisca grande renovação em seu grupo, colocando todos os principais meninos do Brasil, como Neymar, Oscar, Damião, Ganso e Lucas, à prova nos Jogos Olímpicos de Londres, com início para o final deste mês.

Além de Muricy e Menezes, uma boa parcela dos torcedores, 13% para ser mais exato, lembrou saudosamente de Luis Felipe Scolari, que ficou com a segunda posição da enquete, com oito cliques. Felipão foi o comandante de nossa seleção na última grande conquista do país, a Copa do Mundo de 2002, disputada no Japão e Coréia do Sul. O time que ficou conhecido como "Família Scolari" pelo bom relacionamento, quase paternal, que Felipão possuía com seus selecionados, chegou em territórios asiáticos desacreditado, com seu comandante sendo duramente criticado por imprensa e torcedores por não ter levado Romário entre seus escolhidos. Apesar disso, liderou o grupo em uma campanha irretocável - sete vitórias em sete partidas - erguendo o penta campeonato verde-e-amarelo.

A terceira posição da votação ficou com Tite, do Corinthians, atual campeão da Libertadores da América. O gaúcho recebeu 8% dos votos (5).

Muricy Ramalho

Muricy em empate de seu Santos com o Inter, no domingo
O comandante santista tem currículo de sobra para justificar a preferencia do torcedor brasileiro. Desde o começo de sua carreira técnica, em 1993, acumula quatro campeonatos brasileiros, sete campeonatos estaduais e uma taça Libertadores da América. Além disso, ao conquistar a Libertadores do ano passado, com o Santos, Muricy afastou as críticas de que suas equipes não se davam bem em torneios do estilo mata-mata.
O técnico de 56 anos teve uma carreira relativamente boa como jogador. Atuou durante sete anos no São Paulo, onde venceu um Campeonato Brasileiro (1977) e um Paulista (1975). Nesse período esteve em 177 partidas, marcando 26 gols. A partir de 1979 transferiu-se para o Puebla, do México, onde jogou até 1985. Por lá jogou em 154 jogos, fez 48 gols e conquistou o campeonato mexicano de 1983.

Depois da aposentadoria, passou a comandar o próprio Puebla, antes de retornar ao Brasil como auxiliar do lendário Telê Santana, no São Paulo. Após alguns anos de idas e vindas no time da capital, sendo em alguns momentos técnico principal, e em outros momentos auxiliar de Telê e Carlos Alberto Parreira, Muricy deixou o clube para comandar Guarani, Shangai Shenhua, da China - onde chegou a ganhar uma copa em 1998 - Ituano, Botafogo de Ribeirão Preto, Portuguesa Santista, Naútico e Figueirense.

Em 2003 chegou ao Internacional de Porto Alegre e ganhou o Gauchão do mesmo ano. No ano seguinte foi para o São Caetano, onde também foi campeão estadual, e voltou ao coloraco em 2005, conquistando seu terceiro estadual seguido.

A partir de 2006 sua carreira como treinador alavancou. Seu retorno ao São Paulo foi glorioso e Muricy levantou três brasileirões seguidos (2006, 07 e 08). Entretanto, as frequentes eliminações na Libertadores fizeram com que o técnico deixasse mais uma vez o clube. Em 2009 comandou o Palmeiras, sem muito sucesso, e em 2010 voltou a vencer o Campeonato Brasileiro, desta vez com o Fluminense.

No Santos Muricy trabalha com jovens revelações, como Victor Andrade
No ano passado, assumiu o Santos, de Neymar e Ganso. Deixando um pouco de lado sua fama de retranqueiro, Muricy permaneceu com o estilo ofensivo que o time da baixada tinha deste o ano anterior e colocou na sua conta mais dois estaduais, além da sonhada Libertadores. A vexatória derrota para o Barcelona, na decisão do Mundial Interclubes de 2011, em nada abalou a confiança do torcedor santista em Muricy.

Atualmente, Muricy passa por mais um grande teste de sua carreira. A equipe do Santos está totalmente remendada, com ausências de Neymar e Rafael, servindo a seleção de Mano, Ganso, que além de também estar na seleção passa por crise de relacionamento com a diretoria alvinegra e tem seu nome frenquentemente citado em possíveis transferências com Internacional e alguns clubes europeus.

Não bastasse isso, o Santos perdeu diversos jogadores desde o término da Libertadores - saíram Alan Kardec, Elano, Borges e Rentaria - além sofrer com a contusão de vários reforços que a equipe trouxe (Fucile, Bernado, David Brás e Galhardo). Mas como 'desgraça pouca é bobagem', o técnico ainda tem que lidar com a frustração de ver sua diretoria fracassar em seguidas tentativas de contratação de Martinez, Cabral e Romarinho, entre outros. Essa falta de alternativas será a principal dificuldade para Muricy na briga pelo seu penta Campeonato Brasileiro, sem contar Recopa Sulamericana que o Santos disputará contra Universidad de Chile.

Apesar dos problemas, Muricy Ramalho já anunciou sua renovação de contrato até o final de 2013 com o clube caiçara. Com ele por mais um ano o torcedor santista pode ficar tranquilo porque, mesmo com as dificuldades, Muricy é sempre sinônimo de trabalho. Muito trabalho, meu filho!

Guilherme Uchoa

Fotos: Diego Guichard/ Globoesportes.com e Ricardo Saibun/ Santosfc.com